Os mais céticos defendem o fim das religiões tendo em vista uma vida mais livre, mais crítica, menos \"moralista\", menos dogmática, menos calcada em princípios de fé e mais de acordo com o discurso científico. A esmagadora maioria da população mundial se diz espiritualizada de algum modo, no sentido religioso da palavra, e a humanidade chegou onde chegou. Não estaria na hora de mudar? Os mais crentes por sua vez contra argumentam que se o ser humano já faz as barbaridades que faz na presença de Deus, sem ele seria muito pior.
Aqueles alegam que as religiões perseguem o desenvolvimento da ciência. No século XVII, Galileu bateu de frente com a inquisição ao defender veementemente que o sol era o centro do universo e não a terra. Quase foi queimado vivo por isso. Mais recentemente (1978), com o sucesso da fertilização in vitro, ativistas religiosos tentaram impedir que as novas técnicas se popularizassem. Mais tarde, com o surgimento da AIDS os mesmos ativistas diziam que bastava ser fiel para evitar a doença e chegaram mesmo a pronunciar que o vírus HIV teria a capacidade de tunelar o látex da camisinha. Com a clonagem e estudos com células tronco, os religiosos acusam os cientistas de brincarem de Deus. Os religiosos sustentam que estes são casos isolados e que não se pode generalizar. Em contrapartida a ciência é acusada de manipular informações para iludir as pessoas a exemplo do que ocorreu com a pesquisa do sul-coreano Woo-Suk Hwang sobre células tronco embrionárias humanas, entre outros casos.
Para uns é difícil aceitar um Deus que se preocupe com as nossas necessidades pessoais e que recompense ou castigue o objeto de sua criação de acordo com o seu comportamento. Para outros, isto pode ser uma motivação a mais para praticar o bem.
Alguém que acredita em Deus poderá dizer: ah... entãos se Deus não existe podemos sair por aí matando que não faz diferença alguma? Para os não crentes o raciocínio é justamente o oposto. Uma vez que existe apenas uma vida, é preciso vivê-la da melhor forma possível, e matar não faz parte das prioridades. A admiração pelo mundo natural, pelas belezas que o cosmos revela à luz da razão não vai te levar a querer praticar o mal. Muito pelo contrário. Os que acreditam cegamente na existência de um paraíso após a morte, estes sim são potencialmente perigosos. Já alguém que não acredita em Deus poderá questionar: quer dizer que o universo é complexo demais para apenas existir mas precisa ser criado por um Deus que apenas existe? Da mesma forma que vocês simplesmente acreditam na ciência, nós acreditamos em um Deus, responde o religioso. É apenas uma questão de fé.
Os providos de fé afirmam que as religiões estão intimamente ligadas à formação de valores morais. Que as religiões querem um ser humano mais pleno, filho de Deus. Que mal a nisto? Os desprovidos retrucam dizendo que uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Valores morais estariam muito mais associados à dicotomia do bem e do mal, ou seja, mais a uma questão filosófica do que religiosa propriamente dita.
E por aí vai. Discussões a parte, o fato é que a ciência não abala as convicções dos religiosos nem a fé toca o coração dos não-religiosos. É impossível uma uniformidade de pensamentos. Todos são felizes da sua maneira. Cada um possue os seus dogmas, sejam eles científicos, religiosos ou ambos simultaneamente. Não devemos ironizar a opinião alheia. Há espaço para todos. Ou nos acostumamos a conviver com as diferenças ou a humanidade não terá futuro.
Texto enviado pelo colaborador Vagner Jeger
sábado, 29 de setembro de 2007
VALORES MORAIS: são bons por que são religiosos ou são religiosos por que são bons?
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COMPORTAMENTO
Postado por
CLEBER
às
12:40
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2 comentários:
Vou fazer um comentário sobre o meu próprio texto. Eu sou um grande admirador das idéias do Richard Dawkins, já li alguns de seus livros e também já assisti a todos os seus documentários da BBC. Entretanto acho que ele está cometendo o mesmo erro que todas as religiões (sem excessão)
cometem. Ele defende que a verdade alcançada através da ciência é o melhor caminho para a humanidade e que todas as crenças que não sejam calcadas em evidências científicas devam ser expurgadas da terra. Ou seja, a ciência é o melhor caminho e as outras crenças são ilusão.
É o mesmo discurso das igrejas que tém em toda esquina. "Venham conhecer a verdade. Não se deixem enganar por falsas idéias".
Pode até parecer hipocrisia este negócio de convivência pacífica entre as crenças e coisa e tal, mas
talvez este seja, de fato, o melhor caminho. E talvez o único!!
Um abraço
Acredito que tanto ciência quanto religião vem e falam de uma mesma coisa, afinal as idéias das duas são propagadas pelo mesmo veículo: o ser humano.
Do mesmo modo que nenhuma certeza pode ser garantida pela ciência, uma vez que os cientistas vivem descobrindo erros em teorias já sedimentadas, também não há como confiar na dita "palavra divina" pois que nenhum homem são e honesto pode afirmar a enormidade que seria conhecer as vontades de Deus, até porque várias das certezas apregoadas pela religião se descobriu, eram equivocadas.
Daí que para mim, o melhor caminho é cada um acreditar no que mais lhe agradar, respeitando sempre as crenças alheias.
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