Não é que parece que finalmente o Sr. Salvatore Cacciola conhecerá a hospitalidade dos presídios brasileiros, isso se a realeza não jogar caviar na nossa feijoada.
É que apesar de a justiça de Mônaco ter concordado com o pedido de extradição feito pelo Brasil, o foragido, através de seus advogados, pedirá socorro ao Principe Albert II.
A extradição é um instituto do Direito Internacional que visa, basicamente, a entrega de uma pessoa, por um estado soberano a outro, que tenha pedido a extradição para que possa, este último, julgar o extraditando pela prática de crime, em regra, cometido em seu território ou contra um seu nacional, por exemplo.
O Brasil não conseguia a extradição de Salvatore Cacciola porque ele tem dupla cidadania, é brasileiro e italiano ao mesmo tempo, e como fugiu para a Itália e a regra geral é que nenhuma nação extradita seus nacionais, não havia jeito de o Brasil buscá-lo.
Acontece que o foragido foi passear na aprazível Mônaco, que não é solo italiano, e lá, então, foi preso e encarcerado a pedido do Brasil, que logo que foi possível entrou com o pedido de extradição.
Para evitar este desconfortável episódio, o Sr. Cacciola teria que ficar na Itália, sem sair de lá nem pra ir a velório, até prescrever o direito do Brasil de executar a pena, que ocorrerá em 20 (Vinte) anos a contar do trânsito em julgado da sentença, conforme os artigos 109 e 110 do Código Penal Brasileiro.
Nós brasileiros, que não usamos nossos bancos para fraudar e corromper, ficamos muito satisfeitos e na expectativa de que o pomposo ex-banqueiro, ex-corruptor, ex-foragido e ex-corregadio, venha cumprir a pena que lhe foi imposta pela justiça tupiniquim.
O Sr. Cacciola foi condenado em 2005 a uma pena de 13 anos de reclusão, pois em 1999 teria se beneficiado com uma informação privilegiada acerca da maxidesvalorização do Real frente ao Dólar, e comprou Dólar a preço de banana machucada direto do Banco Central.
Quem não lembra que o pobrefóbico ex-presidente FHC, em sua campanha para a reeleição, segurou até onde pode o Real, para que valesse um Dólar?
E quem pode esquecer que assim que ele se reelegeu o Real despencou, e o sonho de R$ 1,00 = U$ 1,00, virou pesadelo?
Pois foi neste momento que o Sr. Cacciola se deu bem, porque soube, antes de todo mundo, e junto com uns poucos, que o Dólar dispararia. E o que fez o inocente banqueiro? Comprou Dólar até dizer: chega! Tudo a precinho de fim de feira!
Como na vida nada é de graça, nem dica privilegiada de maxidesvalorização, parece que o ex-foragido vai encarar Bangu I, o que seria uma estréia, algo inédito: banqueiro desfilando Armani numa penitenciária brasileira.
Quem não está gostando muito é o pessoal do Comando Vermelho e o do 3º Comando, pois eles temem que com a chegada do figurão, os preços de cigarro, aparelho celular e pistolas 9mm fiquem dolarizados e eles acabem tendo que pegar um empréstimo a juros escorchantes com o recém chegado!
Como bons brasileiros que somos, afamados pela simpatia e hospitalidade, só nos resta dizer: ben venuto Cacciola!

2 comentários:
MUITO BOM COMO SEMPRE!!
NÃO PARE DE ESCREVER, POIS FAZ FALTAM CRÍTICOS BEM HUMORADOS COMO VOCÊ NO BRASIL...
OBRIGADO, MAS CRITICAR É FÁCIL, O DIFÍCIL É CONSEGUIR MANTER O BOM HUMOR!
MAS ENQUANTO UNS E OUTROS VÃO NOS F#@%DENDO, VÃO TAMBÉM NOS DANDO MATERIAL PARA QUE POSSAMOS USAR DE UMA VERBORRAGIA CRÍTICA!
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